quinta-feira, novembro 13, 2008

CMMI e Agile: O Retorno

Já tratei sobre o assunto de CMMI e Agile em outro artigo, em que comentava minhas impressões sobre o tópico. Resumindo eu dizia que: Você pode fazer um processo ágil ficar aderente ao CMMI, porém terá um grande overhead (sobrecarga) de custo e prazo em cada um de seus projetos para conseguir isso. Escrevi isso baseado no excelente estudo do David Anderson sobre o tema, quando ele criou o MSF for CMMI.

Agora o SEI publicou um technical report sobre o assunto intitulado CMMI or Agile: Why not embrace both! E esse assunto deu o que falar nas comunidades e listas de discussão dos agilistas!

Uma das conclusões interessantes do relatório diz: "O Problema percebido entre Agile e CMMI não parte do Agile e CMMI serem inconsistentes inerentemente, mas de uma combinação de falsas percepções e experiências com algumas organizações que impõem processos padrões super pesados e restritivos em todos os projetos como parte do uso do CMMI".

É citado também o grandioso livro Peopleware de Tom DeMarco e Timothy Lister. Os autores afirmam que muitas organizações que passaram pelo CMMI acabaram se tornando avessas a riscos e conservadoras.

Mas, o objetivo final do relatório é tentar minimizar os conflitos entre os dois campos, reconhecer o valor de cada paradigma, eliminar erros e preconceitos mútuos.

O artigo também comenta um ponto que considero crucial. Em todas as discissões sobre o modelo CMMI é inevitável falar sobre a questão da avaliação (erroneamente chamada no mercado de certificação). O artigo reforça que é possível usar práticas alternativas para se atingir um objetivo do modelo. O problema é que vemos que mesmo os auditores oficiais treinados pelo SEI no SCAMPI(o guia de avaliação do CMMI) possuem dificuldade em aceitar ainda esses conceitos. Por ser um modelo, pode existir uma gama de interpretações diferentes no momento de uma validação via auditoria, especialmente devido à necessidade que o SCAMPI impõe em relação à existência de evidências diretas e indiretas da realização de práticas.

Do meu ponto de vista, o problemas não é o modelo CMMI em si, mas o SCAMPI e como é feita a avaliação. Quando se entra na busca do "selinho" é que ocorrem grande parte dos problemas, conforme já descrito no excelente livro "Measuring and Managing Performance in Organizations".

O método de avaliação SCAMPI tende a levar a uma busca frenética por evidências diretas e indiretas, já que os avaliadores oficiais do SEI possuem essa tendência (e sei disso por experiência própria, já que participei em SCAMPIs A e B). Se o SEI mudasse a forma como é feita a avaliação formal e como ela treina seus avaliadores (algo recomendado nesse novo technical report) talvez fosse útil uma organização agile tirar uma avaliação CMMI por motivos de negócio (entrar em licitações, etc). Agora, como está hoje definido o SCAMPI, se torna inevitavelmente necessário adaptar o processo ágil para que ele tenha chances de passar por uma avaliação. Pelo exemplo do próprio MSF for CMMI (discutido em meu artigo anterior) dá pra notar que é um overhead razoável para se adaptar e "passar" em um SCAMPI.

Acho que o primeiro passo concreto que o SEI poderia dar para se aproximar mais dos processos ágeis, seria adaptar o SCAMPI e definir melhor práticas alternativas no modelo CMMI.

Vamos ver o que o futuro reserva em relação a esse assunto!

1 Comentários:

At 3:24 PM, Anonymous Samuel disse...

Muito interessante esse post. Não só porque se trata da minha dissertação (em andamento), mas também porque também acredito que o foco a ser observado seja o próprio método de avaliação, e não o modelo.
Até e abraço!

 

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